Por que este site mede a evaporação em vez de estimar
Quando montamos a calculadora de evaporação do lago, havia um caminho tentador. O INMET publica normais climatológicas de evaporação para o Brasil inteiro, por estação meteorológica. Bastaria cruzar com o seletor de capital que o site já tem e devolver um número sem pedir nada ao usuário.
Seria a calculadora mais conveniente do site. E ela não existe.
O que a normal do INMET mede
A normal de evaporação do INMET é medida em evaporímetro de Piche — um tubo graduado com um disco de papel poroso na ponta, que perde água para o ar.
Papel poroso não é lâmina livre de água. A relação entre o que o Piche mede e o que um lago perde depende de vento, de radiação solar, da geometria do instrumento e de como ele está abrigado. Existe literatura sobre essa conversão, e ela é específica de clima e de instalação.
Não encontramos fonte pública que publique esse coeficiente de conversão de forma que pudéssemos abrir, ler e citar.
Nesse ponto havia duas saídas. Uma: escolher um coeficiente plausível — a literatura tem faixas conhecidas —, aplicar, e ninguém notaria. A outra: não publicar.
Escolhemos a segunda, e é a mesma escolha que o site irmão de piscina fez pelo mesmo motivo.
Os modelos também não servem
Existem modelos de superfície livre bem estabelecidos. O do EnergyPlus, do Departamento de Energia americano, e o do FAO-56, da FAO.
O do EnergyPlus foi calibrado para piscina coberta e não tem termo de vento — ele subestima qualquer coisa ao ar livre. O do FAO-56 foi feito para evapotranspiração de cultura agrícola.
E nenhum dos dois tem como levar em conta a coisa que mais aumenta a evaporação de um lago ornamental: a cascata. Água espalhada no ar evapora numa taxa completamente diferente de água parada, e isso depende do desenho da cascata de cada um.
Um modelo aplicado fora da faixa em que foi calibrado devolve um número com cara de precisão e sem conteúdo.
Então a calculadora mede
1 mm de queda × 1 m² de lâmina = 1 litro.
Isso não é aproximação, não é coeficiente e não é modelo: é a definição de litro aplicada à geometria. É exato.
O procedimento leva dois minutos e uma semana de espera:
- Marque o nível da água na borda com fita crepe e anote a data.
- Não reponha nada durante o período.
- Se chover, anote quanto — um pluviômetro de plástico resolve.
- Depois de uma semana, meça a queda com uma régua e desconte a chuva.
A calculadora faz o resto: litros por dia, por mês, e o custo de repor na sua tarifa de água.
É mais trabalhoso que apertar um botão. E é o único jeito de ter um número que seja do seu lago, com a sua cascata, no seu clima.
O bônus: detectar vazamento
Existe uma pergunta que só esse método responde, e ela é cara: é evaporação ou é vazamento?
Evaporação é consistente com o clima. Ela cai em dia nublado, cai à noite, some quando chove. Vazamento não liga para nada disso: perde na mesma taxa, o tempo todo.
Meça a queda por vários dias seguidos e compare com o tempo. Se a perda não variar com o clima, você não tem um problema de evaporação — tem um furo na lona, e quanto antes souber, melhor.
A mesma lógica no marinho
A calculadora de reposição de evaporação do aquário marinho segue exatamente o mesmo princípio, e lá a medição é ainda mais importante: como a evaporação leva água mas não leva sal, a salinidade sobe sozinha. O quanto ela sobe por dia depende de quanto o seu aquário evapora — e isso só se sabe medindo.